Lá no átomo
Lembrando as aulas de ciências da escola, todo corpo é formado por átomos. Os átomos são formados por um núcleo, com prótons e nêutrons, rodeado por elétrons. Os prótons são positivos, os elétrons são negativos e os nêutrons são neutros (dã). Lembrando também aquela regra de ouro que diz que “os opostos se atraem”, cargas positivas atraem cargas negativas e vice-versa.
Peguemos agora uma barra de ferro, que também é formada por átomos e que estão cheios de elétrons. Alguns desses elétrons (os da última camada) ficam pulando de um átomo para o outro da barra de ferro. São os chamados elétrons livres. Quando um elétron pula de um átomo A para um átomo B, o A fica com falta de elétrons e o B com excesso, fazendo com que o átomo A fique carregado positivamente (por ter mais prótons que elétrons) e que o átomo B fique carregado negativamente (por ter elétrons demais). Assim, os elétrons que estão pulando na vizinhança serão atraídos pelo átomo A da mesma forma que serão repelidos pelo B. Esse movimento é aleatório e sempre que um átomo perde um elétron ele ganha outro do vizinho, de forma que os átomos fiquem o tempo todo “trocando figurinhas”.
Coloque agora um pacote de átomos carregados positivamente próximo a uma extremidade da barra de ferro – chamemos de extremidade P - e na outra – extremidade N – coloque outro pacote de átomos, carregados negativamente (com excesso de elétrons). Na extremidade (ou pólo) N os elétrons livres da barra serão repelidos pelos átomos negativos do pacote e vão se afastando da extremidade. De forma semelhante, o pacote de átomos positivos do pólo P vão atrair os elétrons que estão sendo repelidos pelo polo N. O resultado disso é um fluxo de elétrons do pólo negativo para o pólo positivo da barra. Eventualmente, todos os elétrons em excesso do pacote N vão chegar no pacote P. Com isso, os dois pacotes passam a ter a mesma quantidade de prótons e elétrons, ficando neutros. Desse jeito, ninguém atrai nem repele ninguém, cessando o fluxo. É o que acontece quando uma bateria descarrega.
Na bateria, os pacotes – positivo e negativo – são os pólos da bateria. A barra de ferro seria o condutor, que é por onde flui a eletricidade. Em aplicações práticas, essa barra de ferro seria um carrinho a pilha ou um lâmpada, por exemplo.
É por isso que todo equipamento elétrico possui dois fios: um pra cada polo.
Tensão elétrica (voltagem)
Vamos agora colocar um pacote maior de átomos positivos e negativos nas extremidades da barra de ferro. Com isso, a repulsão e atração se dará com mais “força”. O pacote positivo tem maior potencial de atrair elétrons da mesma forma que o negativo tem maior potencial de repelir. À essa diferença de potencial (ddp) se dá o nome de tensão elétrica ou voltagem e a sua unidade no SI é o volt (V).
Uma analogia que eu sempre faço da tensão elétrica é com pressão de água na tubulação. Se você tiver um recipiente cheio de água ligado por uma mangueira com uma torneira fechada a outro recipiente vazio você terá “energia potencial” para fazer fluir água do recipiente cheio para o vazio. Não terá nenhum trabalho porque a torneira está fechada, mas você tem potencial de produzir trabalho.
Corrente elétrica (amperagem)
Ao fluxo de elétrons indo do pólo negativo para o positivo é dado o nome de corrente elétrica (ou amperagem) e é medido em amperes (A).
Se você abrir a torneira dos recipientes da analogia anterior, a água vai fluir do recipiente cheio para o vazio. Se você colocar mais água no recipiente cheio, a pressão (tensão) em seu fundo será maior e, portanto, a vazão (corrente) na mangueira será maior.
Formas de eletricidade
Numa bateria, um polo sempre possui potencial positivo e o outro, negativo – falta e excesso de elétrons, respectivamente. Desta forma, quando você liga uma pilha, a corrente flui de um polo específico ao outro. Sempre. Convencionalmente, diz-se que a corrente vai do positivo para o negativo, mas, na vida real, os elétrons vão do negativo para o positivo.
Como a corrente flui continuamente do positivo para o negativo, essa forma de eletricidade é conhecida como corrente contínua, CC ou DC (direct current).
Outra forma de se obter energia elétrica é através da excitação de um condutor por um campo magnético. De um jeito que todo mundo entenda, significa você ficar girando um ímã perto de um monte de metal. Quando o polo positivo do ímã se aproxima do metal, ele atrai os elétrons para uma extremidade e quando o polo negativo está próximo, ele afasta os elétrons para o outro lado. Assim, os elétrons ficam indo de um lado para o outro do bolo de metal (na verdade, esse monte de metal é formado por fios enrolados em forma de bobina). Esse é o princípio do gerador elétrico.
A ruma de metal se transforma em uma pilha gigante, que uma hora está positiva de um lado e negativa do outro e, em seguida, o lado que era positivo fica negativo e o que era negativo fica positivo, alternadamente.
Se você criar um caminho (condutor) entre os polos dessa pilha, a corrente fluirá em um sentido, em seguida, no outro sentido. Essa é a chamada corrente alternada, CA ou AC (alternate current).
Enquanto a corrente contínua utiliza os termos positivo e negativo para se referir aos seus polos, na corrente alternada, os polos são chamados de fase e neutro.
Na casa da gente, a eletricidade que chega do poste é alternada. A seguir, eu detalharei a instalação elétrica residencial padrão no Brasil e falarei sobre os seus principais elementos.
26/05/2009 at 11:35
Tanto faz qual lado da tomada entra na parede? Se eu ligar meu ventilador ao contrário, ele vai soprar pro outro lado?
26/05/2009 at 19:54
Sim, tanto faz. O que define o sentido de rotação de um ventilador é a ligação do capacitor de partida, que é interno ao ventilador. Como eu falei, em corrente alternada, a polaridade fica variando ao longo do tempo (60 vezes por segundo), por isso não faz diferença o lado da tomada que você ligue, pois ela vai estar variando mesmo.
Agora, existem alguns equipamentos que aterram o neutro internamente, como computadores e outros equipamentos eletrônicos complexos. Por isso, em tomadas 2P+T (2 pinos + terra) muito usadas em computadores, padroniza-se que o buraco esquerdo é o neutro, o direito é a fase e o de baixo é o terra). Nesse caso, o equipamento pode funcionar, mas a ligação incorrenta poderá causar alguns problemas.
18/06/2009 at 08:17
Você aterra o neutro internamente ou prefiro um solzinho nas costas?
Não deixe o poço secar. Mostre como uma antena de bombril funciona, por exemplo.
27/05/2009 at 13:54
“aterram o neutro internamente” é duplo sentido? É seguro falar isso no almoço com a família?
27/05/2009 at 13:57
É sim, contanto que você não mencione o nome de nenhum parente idoso na mesma sentença.
30/05/2009 at 12:27
Mário, a tomada la de casa ta com o fase e o neutro invertido. É bom trocar né? To com medo de o PS3 fuder…
30/05/2009 at 14:18
É bom trocar sim.
30/05/2009 at 12:50
Esse post foi feito pra mim, obrigada.
30/05/2009 at 14:19
Nâo tem por onde.
30/05/2009 at 14:30
“A seguir, eu detalharei a instalação elétrica residencial padrão no Brasil e falarei sobre os seus principais elementos.”
cadê?!
10/08/2009 at 15:18
[...] De maneira geral, eu, você, as cadeiras (contanto que não sejam elétricas) e o chão estamos equipotencializados, ou seja, temos o mesmo potencial, ou seja, temos a mesma proporção entre prótons e elétrons em nossos átomos. Existe um ou outro íon, que é um átomo com falta ou excesso de elétrons, mas a média total é zero. Dessa forma não há circulação de corrente elétrica (considerável) entre você e a cadeira que … [...]
12/11/2009 at 09:13
[...] três variáveis são muito dependentes entre si. Façamos a velha analogia da pressão e vazão da água para melhor entender a tensão e a corrente. Imagine um cano com um [...]