Como eu havia prometido e esquecido, vou falar um pouco como é uma instalação elétrica residencial básica aqui no Brasil.

A tomada, que todo mundo conhece, tem normalmente dois ou três buraquinhos. A fase e o neutro e, ainda opcionalmente, o terra. A tomada é embutida na parede em uma estrutura de PVC (preta ou amarela) chamada caixa de embutir. Nela, fica acomodada a parte interna e fiação da tomada ou interruptor.

Caixa de embutir em PVC

A caixa de embutir é quase sempre de tamanho padronizado de 4 x 2 polegadas. Na figura dá pra ver que ela possui uns círculos que se destacam para encaixar os eletrodutos, que podem ser rígidos ou flexíveis. Aqui em Natal, os eletrodutos flexíveis são chamados de conduítes, mas pelo que deu pra entender, parece que conduíte é sinônimo de eletroduto de maneira geral no resto do país. Os eletrodutos servem para proteger a fiação elétrica dentro da parede – ou fora, no caso de instalações aparentes. Os rígidos são vendidos em varas de 3 metros e os flexíveis do tamanho que você quiser. Os mais usados são os de bitola (diâmetro) de 1/2, 3/4 e 1 polegada, dependendo da quantidade de fios requerida.

A fiação sai da tomada perto da porta do quarto de Joãozinho, segue pelo eletroduto, passa pela tomada perto da janela e sobe para o teto. Ou seja, o caminho é ditado pela distribuição das tomadas em cada cômodo, podendo, inclusive, passar para outro cômodo, objetivando quase sempre chegar ao teto da casa, onde a distribuição para os outros cômodos se torna mais fácil. Chegando no teto, a fiação do quarto de Joãozinho se encontra com a fiação das tomadas do quarto de Mariazinha. Esse encontro se dá em outra fiação, geralmente mais grossa, já que está levando a energia de dois quartos.

A fiação mais grossa – chamemos de “Circuito de Tomadas dos Quartos” – vai até o QDL – quadro de distribuição de luz, ou simplesmente quadro de distribuição, aonde chegam também o “Circuito de Tomadas da Cozinha” e o “Circuito de Iluminação da Sala de Estar”, o “Circuito de Ar Condicionado do Quarto de Sr. Pereira” e o “Circuito do Chuveiro Elétrico”.

A forma como é feita a distribuição dos circuitos segue regras ditadas em padrões de instalações elétricas nacionais e internacionais, mas também varia com o projetista. De maneira geral, eles procuram dividir os circuitos de acordo com os cômodos da casa e com a potência instalada. Circuitos de iluminação são sempre separados dos circuitos de tomadas.

Por falar em tomada, existem dois tipos: as tomadas de uso geral (TUG) e as tomadas de uso específico (TUE). As TUGs são essas que estão espalhadas por todos os cômodos. As TUEs são exclusivas para alimentar equipamentos de maior potência, como chuveiros elétricos, ar-condicionados, máquinas de lavar, etc. Para cada TUE é necessário um circuito exclusivo.

O quadro de distribuição é uma caixa cheia de disjuntores. Cada disjuntor alimenta um circuito, ou seja, quando você abre o quadro, tem um disjuntor para a iluminação da sala, outro para as tomadas da suíte, um para o chuveiro elétrico, outro para o ar-condicionado e assim vai. Na teoria. Muitas instalações elétricas não seguem à risca todas as normas e boas práticas.

Quadro de distribuição de luz – QDL

Mas o que é um disjuntor?

O disjuntor é um equipamento de proteção e manobra que desliga -se automaticamente em caso de sobrecorrente ou curto-circuito.

Sobrecorrente: corrente um pouco elevada em um longo período de tempo. Ocorre por exemplo, quando você liga em uma tomada só a televisão, DVD, caixas de som, grill George Foreman, etc.

Curto-circuito: corrente muito elevada em um curto período de tempo. Isso acontece quando há contato direto entre a fase e o neutro. Normalmente há um desprendimento elevado de energia, liberada na forma de calor, luz e som. É o famoso pipoco que dá quando queima algum equipamento ou quando você machuca o fio do ferro de passar embaixo da mesa.

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Disjuntor
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Outro disjuntor

A sua principal função é proteger a fiação da casa, pois a elevação de corrente provoca aquecimento nos cabos, ocasionando derretimento e até incêndios.

No corpo do disjuntor, vem escrito um número, que pode ser precedido por uma letra, opcionalmente. Este número é o valor de corrente nominal para qual o disjuntor está dimensionado. Ou seja, se passar daquele valor de corrente ele desarma. Esse valor é escolhido de acordo com a corrente máxima suportada pelo cabo, que, por sua vez, depende da bitola do mesmo, que, por sua vez, depende da carga instalada naquele circuito, que, por sua vez, depende da quantidade e da potência dos equipamentos. A letra que antecede o número é referente à curva de atuação do disjuntor que é função do tipo de carga que ele alimenta, mas isso não é de interesse  imediato de um buliçoso das galáxias.

O QDL pode ter ainda um disjuntor geral, que alimenta todos os outros disjuntores. A alimentação do QDL vem de outro disjuntor em outro painel, chamado quadro de medição. Ele possui duas coisas basicamente: um disjuntor e o equipamento de medição da concessionária de energia elétrica. Em prédios de apartamentos, o quadro de medição fica no térreo, ou mesmo em uma casinha fora do bloco, junto com todos os outros quadros de medição, um para cada apartamento. É nesse local que a companhia de luz vem todo mês pegar a medição.

É aí também onde são feitos os famosos gatos. O princípio básico é trazer a alimentação do QDL antes que ela passe pelo medidor. Dessa forma, o consumo não é registrado e, consequentemente, também não é pago.

Só lembrando que isso é ilegal, hein?

Na entrada do quadro de medição tem um fio que é um pouquinho diferente dos que você normalmente já viu conduzindo eletricidade. Ele é mais parecido com os cabos de antenas e tv a cabo que chegam à televisão. É o famoso cabo coaxial. Ele recebe esse nome porque os dois elementos possuem um eixo em comum (vai um dentro do outro), ao contrário dos outros tipos que possuem eixos paralelos (vão lado a lado).

Cabos coaxiais

Cabos coaxiais

Nesse tipo de cabo, a fase vai no fio central e o neutro vai na malha externa. Entre eles existe uma isolação, além da isolação/proteção exterior.

Esse cabo é que faz a interligação do quadro de medição com o poste, sendo chamado de ramal de ligação. É nesse local que a companhia de luz faz o corte quando você esquece-se de pagar a conta.

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