No post de hoje, vou ensinar como fazer a ligação de uma lâmpada simples, seja ela uma lâmpada PL ou uma incandescente. No próximo eu ensino a ligar uma lâmpada fluorescente, que é um pouquinho mais complicada.

Pra não ficar um post curto vou explicar o princípio de funcionamento da lâmpada incandescente. Mais pra frentemente eu falo sobre a fluorescente.

A lâmpada incandescente

Esse é o mais famoso tipo de lâmpada, mas que está em decadência devido a sua baixa eficiência. Foi esse o tipo de lâmpada que foi inventado por Thomas Edison, em 1879. Seu funcionamento é simples: uma corrente elétrica flui por um filamento, que aquece e se torna incandescente – taí o porquê do nome.

Por que isso acontece?

Pra explicar isso vou falar de um cara chamado James Prescott Joule (pronuncia-se djôul e não jáule, como dizem muitos professores de física do segundo grau (era como chamavam o ensino médio no meu tempo)). Ele foi um cientista inglês do século 17 que fez descobertas muito importantes a respeito das teorias de conservação de energia e também sobre a energia cinética das partículas (ou como elas se mexem) e como isso estava relacionado com a temperatura dos corpos.

O chamado efeito Joule ocorre quando uma corrente elétrica passa por um condutor qualquer. A passagem dos elétrons provoca o aumento na energia cinética das partículas que formam o condutor, fazendo com que ele aqueça. Quanto maior a corrente, maior a temperatura.

Acredito que todo mundo aqui já tenha visto um ferreiro medieval trabalhando, aquecendo uma ferradura num forno soprado por um fole até que ela fique bem vermelhinha e brilhante, ou seja, incandescente. A mesma coisa acontece com o filamento de dentro da lâmpada. Só que ao invés de um forno, o que esquenta é a corrente passando.

E como é que liga?

Pra fazer a lâmpada funcionar é só ligá-la em um circuito elétrico, fornecendo uma tensão que produzirá uma corrente. Para fazer a lâmpada apagar é só interromper o fluxo de corrente, usando para isso um interruptor (essa você não sabia, né?).

O interruptor é um condutor móvel com dois terminais. Quando você o aperta para um lado, ele move uma “gangorra”, fazendo com que se feche um contato elétrico entre os dois terminais, permitindo o fluxo de corrente elétrica. Se apertar para o outro lado, o contato se abre, interrompendo o circuito.

Esquema de ligação de uma lâmpada com interruptor

Esquema de ligação de uma lâmpada com interruptor

Com o esquema fica melhor de ver. Essa é a ligação padrão correta, mas você pode trocar praticamente todas as posições da ligação que a lâmpada ainda vai acender e apagar, contudo, a ligação padrão correta tem algumas vantagens, entre elas:

  1. O neutro vai direto na lâmpada. Vantagem: quando você desliga o interruptor, está garantido a desenergização completa da lâmpada, pois o neutro não tem potencial (não dá choque). Outra coisa: se você interromper o neutro e ligar a fase direto, algumas lâmpadas fluorescentes podem ficar com um brilho ondulante quando estão desligadas.
  2. A fase é ligada no terminal central do interruptor. Vantagem: não sei qual é, mas é a ligação padrão;
  3. O nome do fio que vai do interruptor para a lâmpada é retorno. Isso não é uma vantagem, é só uma informação a mais.
  4. O retorno entra no terminal do receptáculo que corresponde ao pitoco do meio da lâmpada, enquanto o neutro vai na parte da rosca. Vantagem: quando você está desrosqueando a lâmpada, mesmo que ela esteja ligada, o pitoco do meio é a primeira parte que se separa do seu correspondente no receptáculo, a rosca, que está ligada ao neutro, é sempre desenergizada, oferecendo maior segurança na hora de remover a lâmpada.

O receptáculo que eu tanto falei é o famoso bocal (ou soquete) onde a lâmpada é rosqueada.

Curiosidade final

Você já reparou que quando apaga uma lâmpada, às vezes o interruptor pisca? Efeito semelhante acontece quando retiramos algum plugue da tomada e saem umas faíscas. Isso ocorre porque em circuitos indutivos – aqueles que contêm indutores (bobinas), ou seja, quase tudo dentro de casa – existe uma tendência natural da corrente continuar fluindo. Essa tendência é tão forte que mesmo após um tempinho do interruptor desligado, a corrente continua fluindo entre os terminais através do ar. É o famoso arco-elétrico, que desprende energia na forma de calor, luz e som, da mesma forma que os raios.

Imagine que um circuito indutivo é como um moinho de água. A água (eletricidade) vai passando e fazendo o moinho (indutor) girar. O indutor não gira, mas isso é só uma analogia. Mesmo que você interrompa o fluxo de água, o moinho vai continuar girando por um tempo, pois armazenou energia cinética da água. Esse movimento residual vai fazer ainda se mover um pouquinho da água que restou na calha. É mais ou menos isso que acontece, pois os indutores do circuito também armazenam energia. Após o desligamento do circuito, o indutor força os elétrons do condutor a continuar fluindo, mesmo que para isso eles tenham que pular de um terminal para o outro do interruptor aberto, formando o arco elétrico e dando aquele brilhinho.

É, não ficou tão curto…

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